Sair do aluguel e ficar livre dos reajustes, ao realizar o sonho da casa própria, requer uma dose extra de “realidade”. Para a advogada especialista no ramo imobiliário e conselheira da OAB-GO, Carla Sahium, hoje a facilidade de crédito é grande, mas é preciso se livrar de ilusões antes de fechar o negócio, para não repetir o problema ocorrido com milhares de mutuários nos Estados Unidos, que não conseguiram pagar as dívidas.
Ela lembra que a pessoa precisa avaliar o custo que terá com o imóvel, aliando o valor da prestação com o custo de manutenção, como a taxa de condomínio. Segundo Carla, a facilidade de crédito acaba criando uma falsa ilusão de que é fácil pagar. “Mas a pessoa deve considerar que suas despesas podem aumentar no longo período do financiamento, como filhos que vão estudar. O desemprego e a queda na renda também podem ocorrer”, alerta a advogada.
Às vezes, o mais recomendado é comprar um imóvel mais barato, já que hoje está mais fácil perdê-lo em caso de inadimplência. Outro cuidado importante para dar um passo com tranquilidade, segundo ela, é ler os contratos de financiamento com a ajuda de um profissional.
Continuar no aluguel pode ser o mais recomendado quando a pessoa consegue reservar uma poupança para dar a maior entrada possível no financiamento. “É preciso considerar previsões ruins, pois temos muitas ações revisionais pelo SFH.”
Pretensões
Para o presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação em Goiás (ABMH-GO), Wilson Rascovit, a pessoa deve considerar seus ganhos e pretensões. A compra é um bom negócio para quem busca a segurança da casa própria. Mas que a pessoa tem conhecimento técnico para investir em outros meios, pode conseguir um retorno maior do dinheiro, que possibilite o pagamento do aluguel e ainda um ganho extra. Também é preciso estar atento à capacidade de valorização do imóvel em sua região.
Para ter sucesso no negócio, Wilson recomenda buscar orientação sobre a forma de amortização do saldo devedor, dando o máximo possível de entrada, procurar a menor taxas de juros, usando recursos do FGTS e não comprometer mais de 20% da renda familiar com a prestação. “Hoje, a alienação fiduciária facilita a perda do imóvel e está bem mais difícil anular um leilão”, alerta. (LM)
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